Uma Nova Chance Para Kaiser

A cervejaria mexicana Femsa, dona da marca Kaiser no Brasil, foi vendida para Heineken, e com isso a marca criada em 1982 pelo empresário Luiz Otávio Possas Gonçalves ganha uma nova chance de crescer, e voltar aos bons tempos.

Em 2002 a Kaiser era uma empresa independente, que detinha 15% de participação no mercado de cerveja (a marca Kaiser). Desde então, sua participação de mercado caiu muito – a Femsa detém hoje 7,6%Em 2002 mesmo a empresa foi vendida para a canadense Molson, que havia comprado anteriormente a marca Bavária da Ambev – para aprovar a fusão da Brahma com a Antarctica o Cade impôs a venda da marca Bavária.

O negócio não deu certo, e os canadenses venderam em 2006 duas marcas no Brasil para a empresa mexicana Femsa, que já atuava no país engarrafando produtos da Coca-Cola. Nesses quatro anos, a Femsa tentou de tudo para reagir: lançou a cerveja Sol, repaginou a Kaiser com investimentos altos, mudou seu slogan quatro vezes – Vem Kaiser Vem (2006), Mais que gostosa surpreendente (2007), É mais que gostosa. É Kaiser. (2008), Essa é gostosa. (2009) -, e ressuscitou o Baixinho da Kaiser, sempre apelando para a sensualidade de mulheres – entre as ações está uma coleção de tampinhas com modelos vestindo biquínis.

Tampinhas da Kaiser

Mas até o momento, não houve sucesso da Femsa, e agora com a Heineken a marca Kaiser pode ter uma nova chance. Com a ajuda dos holandeses, a Kaiser pode ser colocada como principal marca do portfólio, e competir em pé de igualdade com Skol ou Brahma – quando a Sol foi lançada, não dava para distinguir que público que a Femsa queria atingir com  a Kaiser. Ela também pode ser uma marca de combate para lutar contra a Antarctica (que um produto mais popular).

O problema é que a Heineken terá os mesmos desafios da Femsa no país. Hoje a empresa comprada está atrás de Ambev (69,6%), Schincariol (11,8%), e Petrópolis (9,5%). Os principais problemas enfrentados pela Femsa se deram no âmbito da distribuição, ela é a única das quatro grandes que não tem uma distribuição própria, o que dificulta muito. A empresa enfrentou também o programa de fidelização de bares da Ambev, o “To Contigo” que dava bonificação para os bares, supermercados e mercearias que por acordos de exclusividade com os estabelecimentos dava em troca descontos e bonificações.

A Heineken pode não mudar muito o panorama no Brasil. Antes de concorrer palmo a palmo com a Ambev, ela tem que ultrapassar a Schincariol e Petrópolis e ganhar muito mercado para ficar em pé de igualdade com a Ambev. Mas sua chegada pode sinalizar a vinda de outra grande cervejaria, a SABMiller que hoje é a segunda maior cervejaria do mundo, atrás apenas da AB Inbev (a dona da Ambev). A SABMiller pode comprar a Schincariol ou Petrópolis, por exemplo. Internacionalmente, ela é conhecida como sendo muito mais agressiva que a Heineken, e pode fazer roubar muito mais mercado da Ambev que a Heineken.

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Sobre grcastanho

Fiz este blog para expor minhas idéias sobre os mais variados temas, mas principalmente Marketing, Política, Economia e Artes em geral.
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2 respostas para Uma Nova Chance Para Kaiser

  1. Fernando disse:

    Será que a Sabmiller já não comprou a Petópolis, eu acho que já comprou.

  2. grcastanho disse:

    Não sei Fernando, há um tempo diziam que a Schincariol estava para ser vendida também, mas até agora nada.

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