No dia que se celebra a queda do Muro de Berlim, dia nove desse mês, a série Gossip Girl transmitirá um novo episódio da temporada que estreou em setembro nos EUA, e para promovê-lo, o canal The CW criou um anúncio que sugere que a personagem principal, Serena, está em um ménage à trois, com o título “Every parent’s Nightmare” (O pesadelo de todos os pais, em uma tradução livre).
Anúncio da série Gossip Girl
Não é preciso dizer que a peça gerou polêmica, ainda mais em um país moralista como os EUA. As críticas são principalmente em relação ao conteúdo da série, que é destinada a adolescentes. O Parents Television Council (conselho de pais para assuntos de TV) pediu para que o episódio não seja exibido pela rede CW.
Não há nada de errado nessa cena. Primeiro que é bem mais inocente que qualquer novela e filme de Hollywood. Segundo que há apenas mais uma pessoa na cena, que está à esquerda, e à direita está a mão dela. Isso é muito barulho por nada. O que esses pais querem, super proteger os filhos? Dependendo da idade, eles já fizeram o que está nessa cena há muito tempo.
No Brasil o seriado é exibido pelo Warner Chanel, canal 47 da Net São Paulo.
A Alpargatas, dona da marca Havaianas, viu subir as vendas de sandálias, e em especial a versão Havaianas Fit, após a exibição do comercial que foi retirado do ar pela empresa e pela Almap depois que alguns reclamaram do filme. Os acessos ao site também subiram. Eram, em média, 4 mil diários, e depois do comercial ter sido retirado subiu para 18 mil acessos diários.
Os números não foram anunciados, mas segundo o Blog Primeiro Lugar, em uma das lojas da marca (Meggashop) as vendas do modelo Fit cresceram 50% após o comercial. De acordo com um gerente, o público de senhoras que procuraram por Havaianas aumentou, pois elas se identificaram com a vovó do comercial.
Não fosse a censura do politicamente correto cresceria ainda mais.
A Alpargatas, dona da marca Havaianas, retirou do ar seu último filme produzido após alguns telespectadores reclamarem. O comercial foi ambientado em um restaurante, entre uma avó e sua neta, e tem a presença do ator global Cauã Reymond – entretanto ele não tem nenhuma fala. O tema do filme gira em torno do que é atrasado (usar chinelo em restaurante no caso da avó) e o que é de vanguarda para diferentes gerações.
A grande polêmica do filme está relacionada à palavra sexo. Quando o ator Cauã Reymond entra no restaurante, a neta mostra para a avó. Ela diz à neta: “tinha que arrumar um rapaz assim“. A neta responde dizendo que “deve ser muito chato casar com famoso“, e a avó retruca afirmando: “Mas quem falou em casamento, eu estou falando em sexo“.
As críticas vieram de uma parte mais conservadora da audiência, que reclamou com agência da marca, Almap, com a própria Alpargatas, e com o CONAR (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária). Por precaução, a Almap se antecipou à decisão do CONAR, e retirou do ar o filme, e colocou outro, dizendo: “Algumas pessoas reclamaram da propaganda das novas Havaianas Fit. Em respeito a elas, Havaianas decidiu tirar o comercial da TV. Por outro lado, algumas pessoas adoraram a propaganda. Em respeito a elas, Havaianas decidiu manter o comercial na internet. Democrático, né! Se você quiser assistir o comercial, entre no site“.
Alguns blogs acusaram a Almap de ação premeditada, para chamar a atenção da propaganda da Havaianas Fit. O que deve ter ocorrido foi que eles deixaram preparado um filme para caso das reclamações fossem muito grande (como foram). E mesmo se foi premeditada, a ação fez com que o filme fosse motivo de conversa entre amigos e colegas de trabalho.
Sobre as reclamações acerca do conteúdo do filme, bem, era óbvio que isso iria ocorrer. Nos últimos tempos vários comerciais para a TV foram alvo de grupos moralistas raivosos, e principalmente, os grupos politicamente corretos raivosos.
Repito aquilo que disse no dia 17/03/2009 sobre o comercial da Pepsico para Doritos: “Mais do que vender um produto, a propaganda também serve para divertir. O que vemos nos exemplos de Doritos e Peugeot, é uma histeria coletiva por nada. Não ataca em nada a “moral e os bons costumes”. Isso tudo, talvez, seja culpa do “politicamente correto”. Mas existe coisa muito mais forte na programação das TVs, como por exemplo, Zorra Total. No entanto, o programa esta há 10 anos no ar, e ninguém nunca fez nada.“
Foi assim com Doritos, Peugeot, e agora com a Havaianas.O filme não tem nada de mais, uma parte da sociedade precisa parar de ser falso moralista e entender que esse tema é, e deve ser, recorrente entre famílias.O sexo deve ser discutido entre as pessoas, quanto mais se discutir melhor, mais elas ficam informadas, e a propaganda é parte disso.
A TV por assinatura já chegou a 6,4 milhões de lares brasileiros e a indústria de TV paga faturou R$ 2,5 bilhões, incluindo as receitas publicitárias. Os dados, referentes ao primeiro trimestre de 2009, foram nesta quarta-feira, 24, divulgados pela Associação Brasileira de TV por Assinatura (Abta) em conjunto com o Sindicato das Empresas de TV por Assinatura (Seta).
Houve também um crescimento da base de clientes usuários dos serviços de internet banda larga oferecidos pelas operadoras de TV paga. No primeiro semestre foram 2,8 milhões de domicílios com Internet.
Apesar de números de crescimento, o número de casas com TV a cabo (ou via satélite) proporcional à população é baixo. Segundo estudo da ABTA, publicado pela Mídia Fatos, e realizado pela ZenithOptiMedia em 2007, a Argentina tinha naquele ano, em números absolutos, 6.030.000 de assinantes de TV por assinatura, com 63% de penetração nos domicílios com TV (total de lares com TV, que soma TV aberta e TV por assinatura). O Uruguai tinha em 2007, 480mil assinantes, o que equivale à 49% de penetração no número de casas com TVs. Na Colômbia, eram 5.822 milhões de lares com TV a cabo em 2007, o que representa 75% (!) de penetração nos domicílios com TV no naquele país.
Já no Brasil, em 2007 eram 3.993 milhões de lares com o serviço, o que equivale à apenas 8% do total de domicílios com TV que é de 48.109 milhões. É humilhante isso. Perdemos para países, tanto em números absolutos e proporcionalmente, para países que tem uma economia menor que a nossa. Só para se ter uma idéia, a Argentina é menor que a economia de São Paulo, e a economia paulista representa 39% da economia do país. Ok, pode se dizer que os números mencionados na pesquisa são de 2007, portanto de dois anos atrás. Mas mesmo assim é humilhante.
É por isso que ultimamente apanhamos tanto dos argentinos em comerciais (Film) em Cannes. Como é muito pequeno o número de assinantes, não há a possibilidade de segmentar muito a comunicação, aliando à “varejização” da comunicação – houve desde 2003 um peso maior dos setores do varejo no mercado de propaganda, vide Casas Bahia que é o maior anunciante do Brasil.
Mas qual a razão por um mercado de TV por assinatura tão pequeno?
São basicamente três: impostos, renda da população, e, principalmente, MONOPÓLIO. O setor, por ser um serviço, paga muito imposto. A população de baixa renda vem ganhando importância na economia, mas apesar de crescer ainda não da para ter esse luxo, pois é caro. No que se refere à monopólio, “apenas” 73% do mercado pertencem à Sky e Net, que pertencem às Organizações Globo. Por essa razão que a Abril irá fechar seus canais.
Entretanto devemos encarar esses números como uma oportunidade, existem ainda 92% de mercado para se conquistar. Se os argentinos conseguiram 63%, porque nós não podemos conseguir 70%?
No Próximo dia 29 de junho, o Grupo Abril acabara com os canaisFizTV e Ideal. O grupo alega que somente uma competição saudável pode promover e estimular o surgimento de novos núcleos de produção audiovisual no país. Os dois canais foram lançados em 2007, e operavam na grade da TVA/ Telefonica e em redes independentes, não operando nem na Net, e nem na Sky, que dominam o mercado. A MTV Brasil continua normalmente.
O FizTv é um canal de TV colaborativo, produzido pelos próprios usuários. Entrava na grade de programação do canal apenas os programas mais vistos no site do canal.
Já o Ideal TV era um canal voltado, segundo a descrição no próprio site, para “brasileiros que trabalham, fazem negócios, investem, inovam e têm estilo de vida“. No mercado, era conhecido como o canal RH, o canal era um dos poucos que transmitiam em HDTV na TV paga.
A reação das pessoas não foi de aprovação. Na página da notícia do m&m online, vário reclamarão. Palavras como “lamentável”, “uma grande perda”, e “realmente uma pena” foram bem frequentes. Um deles, Vinícius Sanfilippo, disse: “Canais de nicho é uma tendência que está começando a ser desenvolvida no Brasil, por isso a Abril não devia desfazer dos canais FIZ e muito menos do Ideal TV, que na minha opinião é um dos melhores canais da TV, tanto aberta quanto paga, tem muita qualidade de conteúdo e é relevante e fundamental para vários profissionais”
A Abril informou que descontinuará a Revista da Semana. De acordo com Jairo Mendes Leal, presidente executivo da Editora Abril, “a diretoria do grupo acreditava que o título pudesse se firmar mesmo diante da competitividade impulsionada pela grande circulação de informação nos meios digitais, mas que a crise econômica e a retração do mercado acabaram inviabilizando o projeto“.
Era óbvio que a Revista da Semana seria descontinuada. Não havia razão aparente para essa revista, sendo que já houve uma revista parecida entre 2002-2004 e foi encerrada. Já os canal eram sim muito interessantes, principalmente o FizTv, que era um canal de TV colaborativo, era uma tentativa de ligar a Web e a TV. O Ideal TV era voltado para o mundo corporativo, que quisesse informações sobre a carreira, era só ligar no canal. Não foi informado se os sites desse canais serão encerrados.
O fim deles tem haver a um monopólio que a Globo tem na TV paga. Net e Sky (ambos das Organizações Globo) respondem por 73% de assinantes de TV paga no Brasil. Desde o ano passado a MTV não faz mais parte da grade da Sky (com exceção da cidade de São Paulo). A Net faz o que quer com o assinante. Um dia a BBC World, Rai International, Record News, entre outros, fazem parte da grade do meu pacote de assinatura, no outro estão disponíveis apenas em pacotes superiores. A Bandeirantes é heróica em manter seu canal e esportes e notícias na TV paga. Cabe ao Cade acabar com esse monopólio, mas isso não acontecerá.
Recentemente fiz alguns posts comentando sobre a TV aberta do Brasil (aqui, aqui, aqui). Abordei que a TV caiu na mesmice. Com poucas novidades, muitas reprises, cópias de programas – daqui e de fora -. Mas essa semana (07/06 a 13/06) assisti algo que me interessou. Nunca tinha visto o programa Coluna MTV, um programa que comenta discos, com trechos de músicas de um álbum, e faz ligações entre diferentes artistas.
A idéia, apesar de ótima, não é nova. A MTV tinha um programa chamado DataClip, que fazia comentários dentro dos clips, sobre influencias, história da banda, história do clip, do disco, entre outros. O programa seria uma mistura do DataClip e o MTV+ – um programa biográfico de artista. Os únicos problemas do programa são que ele só tem 15 minutos e passa na madrugada. Mas mesmo assim, é um bom programa.
Mas qual o porquê disso? Só vemos programas são sobre discussões inúteis, bizarrices (aqui, aqui e aqui) e programas cansativos que nunca terminam (aqui e aqui).
Seria o politicamente correto? Seria a concorrência coma TV paga e Internet? O que fez a TV brasileira ficar assim? Por que não tem mais como a TV Pirata por exemplo?
Nós até temos algumas novidades. O CQC, por exemplo, que tem sacadas interessantes e uma boa dose de bom humor. Outro caso é novo Globo Esporte, que tem um nova linguagem, entenderam que quem assiste é a molecada que volta da escola, por isso o apresentador interage com o público via orkut, joga Winning Eleven com a audiência. Entretanto, a maioria dos programas é sofrível.
Essa semana estréia a nova programação da maior emissora de TV do Brasil, a Globo. Entre as poucas novidades estão duas séries: Força Tarefa e Tudo Novo de Novo. No mais serão apenas reformulações de programas, como o Vídeo Show que agora tem 4 apresentadores, o Casseta e Planeta que volta com Maria Paula, e uma nova novela das 7.
A série Força Tarefa já gerou chiadeira na concorrência. A Record já acusou a série de cópia da sua Lei e o Crime. Ambas as séries retratam o ambiente policial. A Record argumenta que: “foi produzido a toque de caixa, tendo aparecido na mídia apenas em janeiro, quando “A Lei e o Crime” já arrebatava audiência.” Já a Globo diz que “Força Tarefa é mais centrada na investigação do que na ação”.
Mas a Record não pode falar muito. Todas as suas novelas tem a mesma estética das da Globo. Até o Jornal da Record “se inspirou” no Jornal Nacional.
Já no SBT a novidade é a reprise de Dona Beija da extinta TV Manchete – estava entre essa e Ana Raia e Zé Trovão. Além de Reality Shows comprados e produzidos pela emissora como Esquadrão da Moda e Supernanny.
Nos últimos tempos, os únicos programas que trouxeram alguma novidade foram o 15 Minutos e o Quinta Categoria (a versão do ano passado). De resto, todos foram iguais.