Palhaçada Tem Limite

9 11 2009

Eu não queria falar sobre o assunto. Mas depois que acordei nesse domingo e vi que a Universidade Bandeirante (Uniban) expulsou a aluna que foi à aula no dia 22/10 e foi humilhada, escorraçada, e linchada moralmente apenas por usar um vestido rosa curto, não tive como. A Universidade publicou um informe publicitário dizendo que, de acordo com as regra de seu Regulamento Interno (RI), estava:

  • Desligando a aluna Geisy Arruda por infringir a ética, a dignidade acadêmica e a moralidade
  • Suspendendo os alunos envolvidos no episódio, temporariamente, mas só os que foram identificados.

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Informe Publicitário da Uniban que comunica o desligamente da aluna do vestido curto

Bem, eu estudei no Mackenzie, me graduei em uma Universidade Presbiteriana, e já estudei em colégio católico (Colégio Marista Nossa Senhora da Glória, no Cambucí, que tem mais de 100 anos), ou seja, eu estudei em locais que teoricamente seriam mais tradicionais – leia-se moralista. Mas nunca, eu digo, nunca, onde estudei, vi nada parecido com o que ocorreu nessa Universidade e com essa aluna.

E olha que eu já vi muita coisa no Mackenzie, e ninguém fez nada. Mesmo em badalas nunca vi nada de mais também, e é bom lembrar que tem o componente álcool no meio em bares e danceterias – e seguranças para gentilmente apaziguar as coisas. Como bem disse Fausto Salvadori Filho, do Blog Boteco Sujo, “ela não vestia nada que já não pudesse ser usado nos anos 30“.

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Mulhures com minissaia observando a vitrine na década de 1930

E o pior é que esses alunos da Uniban não se arrependeram do que fizeram, e prometeram, no dia 31/10, que caso ela (a aluna) voltasse para a faculdade, ela seria hostilizada da mesma forma. Uma aluna de comunicação disse: ”Ela provocou, quis só aparecer“.  E outra disse também que ”foi só zoeira e o pessoal exagerou, mas ela mereceu“.

Imaginem uma dessas meninas trabalhando em uma agência de propaganda, com mulheres trajadas com blusas com decote que chega ao umbigo, microssaias e cintos maiores que a saia, com tatuagens e tudo mais. Será que elas “aguentariam”? Ou um cara que estuda engenharia que tentou “pegar” a aluna humilhada e não conseguiu, como que ele trabalharia com uma chefe mulher durona? Será que seriam bons profissionais? Como disse o Blog do Nassif, “Por causa dessa liberalidade excessiva, confundida com democratização do ensino, temos hoje no Brasil mais de 1.200 faculdades de direito, contra 182 nos EUA e temos no Brasil mais faculdades de medicina do que toda a Europa. Estamos enganando jovens e seus pais, formando falsos preparados para nada, uma legião de desempregados diplomados, na recente inscrição para emprego de garis no Rio se inscreveram 2.000 com curso superior“. Não à toa um das alunas ao Estadão que: “Como eu vou procurar emprego? Vão achar que eu ando sem roupa por aí“.

Pelo menos na Internet a revolta é geral, e já se abriu inquérito na Delegacia da Mulher e o MEC e a Secretaria da Mulher pediram explicações. Até o Suplicy (!) pediu explicações.

Um ponto levantado, agora no Blue Bus, é no quesito Universidade Popular. Disse o site que “O caso da moça da saia curta na Uniban, que culminou na surpreendente e absurda decisão da universidade de expulsar a aluna e apenas suspender os agressores, coloca em evidência o segmento das universidades populares, outro fenômeno criado pelo fortalecimento da Nova Classe Média Brasileira nos últimos anos“. E que ”Não surpreende, portanto, que o perfil do universitário brasileiro médio seja hoje bastante diferente do estereótipo ao qual nos acostumamos“.

Não é assim também, não se pode jogar tudo no mesmo balaio, mas não se pode generalizar. As Universidades para a Nova Classe média estão ai há um bom tempo, e é a primeira vez que isso ocorre, pelo menos é o primeiro que ouço falar.

Mas quais as verdadeiras razões que levaram a Uniban a expulsar a aluna Geisy? O poder econômico. Concordo com o que disse o Juliano Spyer no blog Talk.com: “Estamos todos entusiasmados para ver a Uniban ser apedrejada publicamente por uma atitude que, a princípio, a maior parte das empresas toma ou tomaria, que é: defender seus clientes e optar por ter menos dor de cabeça apostando que eventuais notícias negativas não se espalhariam”.

E a Universidade é uma empresa com fins lucrativos, ou seja, tem que proteger quem lhe dá lucro, nesse caso os alunos que se envolveram no episódio. Mas o problema é que antes de formar profissionais para a o mercado de trabalho, a Universidade deve sim é formar um cidadão, que será a elite pensante brasileira no futuro. Como podemos observar nesse caso essa elite será de vândalos, moralistas, acham que estão a cima da lei,  e que não sabem conviver com as diferenças.

E como esse profissional irá conviver com as diferenças?

Update: no fim da tarde de segunda, dia 09/11/2009, a Uniban voltou a traz e não irá mais expulsar a aluna Geisy.





Ménage à Trois na TV

7 11 2009

No dia que se celebra a queda do Muro de Berlim, dia nove desse mês, a série Gossip Girl transmitirá um novo episódio da temporada que estreou em setembro nos EUA, e para promovê-lo, o canal The CW criou um anúncio que sugere que a personagem principal, Serena, está em um ménage à trois, com o título “Every parent’s Nightmare” (O pesadelo de todos os pais, em uma tradução livre).

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Anúncio da série Gossip Girl

Não é preciso dizer que a peça gerou polêmica, ainda mais em um país moralista como os EUA. As críticas são principalmente em relação ao conteúdo da série, que é destinada a adolescentes. O Parents Television Council (conselho de pais para assuntos de TV) pediu para que o episódio não seja exibido pela rede CW.

Não há nada de errado nessa cena. Primeiro que é bem mais inocente que qualquer novela e filme de Hollywood. Segundo que há apenas mais uma pessoa na cena, que está à esquerda, e à direita está a mão dela. Isso é muito barulho por nada. O que esses pais querem, super proteger os filhos? Dependendo da idade, eles já fizeram o que está nessa cena há muito tempo.

No Brasil o seriado é exibido pelo Warner Chanel, canal 47 da Net São Paulo.

As informações são do m&m online.





Havaianas e Sexo – II

8 10 2009

A Alpargatas, dona da marca Havaianas, viu subir as vendas de sandálias, e em especial a versão Havaianas Fit, após a exibição do comercial que foi retirado do ar pela empresa e pela Almap depois que alguns reclamaram do filme. Os acessos ao site também subiram. Eram, em média, 4 mil diários, e depois do comercial ter sido retirado subiu para 18 mil acessos diários.

Os números não foram anunciados, mas segundo o Blog Primeiro Lugar, em uma das lojas da marca (Meggashop) as vendas do modelo Fit cresceram 50% após o comercial. De acordo com um gerente, o público de senhoras que procuraram por Havaianas aumentou, pois elas se identificaram com a vovó do comercial.

Não fosse a censura do politicamente correto cresceria ainda mais.





Facebook Quer Seus Amigos do Orkut

30 09 2009

O Facebook lançou um aplicativo que adiciona seus contatos do Orkut para sua conta no site de Mark Zuckerberg. O processo de importação dos contatos é simples,ele usa uma opção nativa do Orkut de exportar seus contatos para um arquivo texto, você manda o arquivo para o Facebook e ele cuida do resto, procurando os amigos que já tem perfil na rede e mandando a solicitação.

Aplicativo do Facebook que adiciona contatos do Orkut

Aplicativo do Facebook que adiciona contatos do Orkut

O LinkedIn também tem um sistema parecido, mas ao invés de importar de uma outra rede social, ele importa de uma conta de email. Basta inserir o endereço do email e a senha que adiciona automaticamente.

Aplicativo do LinkedIn para adição de contatos de contas de email

Aplicativo do LinkedIn para adição de contatos de contas de email

A estratégia do Facebook é clara, ganhar território do Orkut. O site de Zuckerberg chegou a 300 milhões de usuários, e desde o início do ano ele aumentou a aposta no Brasil. Recentemente o criador do site veio ao Brasil promove-lo.

É claro que o Google, dono do Orkut, não irá ficar parado. Há alguns anos o Google lançou um programa chamado Open Social, que copiou vários itens do Facebook.





Havaianas e Sexo

23 09 2009

A Alpargatas, dona da marca Havaianas, retirou do ar seu último filme produzido após alguns telespectadores reclamarem. O comercial foi ambientado em um restaurante, entre uma avó e sua neta, e tem a presença do ator global Cauã Reymond – entretanto ele não tem nenhuma fala. O tema do filme gira em torno do que é atrasado (usar chinelo em restaurante no caso da avó) e o que é de vanguarda para diferentes gerações.

A grande polêmica do filme está relacionada à palavra sexo. Quando o ator Cauã Reymond entra no restaurante, a neta mostra para a avó. Ela diz à neta: “tinha que arrumar um rapaz assim“. A neta responde dizendo que “deve ser muito chato casar com famoso“, e a avó retruca afirmando: “Mas quem falou em casamento, eu estou falando em sexo“.

As críticas vieram de uma parte mais conservadora da audiência, que reclamou com agência da marca, Almap, com a própria Alpargatas, e com o CONAR (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária). Por precaução, a Almap se antecipou à decisão do CONAR, e retirou do ar o filme, e colocou outro, dizendo: “Algumas pessoas reclamaram da propaganda das novas Havaianas Fit. Em respeito a elas, Havaianas decidiu tirar o comercial da TV. Por outro lado, algumas pessoas adoraram a propaganda. Em respeito a elas, Havaianas decidiu manter o comercial na internet. Democrático, né! Se você quiser assistir o comercial, entre no site“.

Alguns blogs acusaram a Almap de ação premeditada, para chamar a atenção da propaganda da Havaianas Fit. O que deve ter ocorrido foi que eles deixaram preparado um filme para caso das reclamações fossem muito grande (como foram). E mesmo se foi premeditada, a ação fez com que o filme fosse motivo de conversa entre amigos e colegas de trabalho.

Sobre as reclamações acerca do conteúdo do filme, bem, era óbvio que isso iria ocorrer. Nos últimos tempos vários comerciais para a TV foram alvo de grupos moralistas raivosos, e principalmente, os grupos politicamente corretos raivosos.

Repito aquilo que disse no dia 17/03/2009 sobre o comercial da Pepsico para Doritos: “Mais do que vender um produto, a propaganda também serve para divertir. O que vemos nos exemplos de Doritos e Peugeot, é uma histeria coletiva por nada. Não ataca em nada a “moral e os bons costumes”. Isso tudo, talvez, seja culpa do “politicamente correto”. Mas existe coisa muito mais forte na programação das TVs, como por exemplo, Zorra Total. No entanto, o programa esta há 10 anos no ar, e ninguém nunca fez nada.

Foi assim com Doritos, Peugeot, e agora com a Havaianas.O filme não tem nada de mais, uma parte da sociedade precisa parar de ser falso moralista e entender que esse tema é, e deve ser, recorrente entre famílias.O sexo deve ser discutido entre as pessoas, quanto mais se discutir  melhor, mais elas ficam informadas, e a propaganda é parte disso.





Use o Twitter Para Promover Sua Marca

18 09 2009

Um levantamento da universidade americana de Pen State verificou que cerca de 20% dos tweets mencionam alguma marca ou produto. No estudo realizado com 500 mil tweets, mostrou que de cada cinco tweets, um mencionava uma marca ou produto, basicamente mídia espontânea.

Página inicial do Twitter

A pesquisa foi desenvolvida pelo IST (Information Sciences and Technology). Segundo o responsável pela pesquisa da universidade, Jim Jansen, “pessoas estão usando o Twitter para expressar suas reações, ambas positivas e negativas, assim como eles interagem com esses produtos e serviços”.

À medida que as pessoas usam, se expressão, e comentam sobre produto ou serviço cada vez mais no Twitter, não dá as empresas ignorarem o Twitter. Se os usuários elogiarem no site uma marca, a empresa pode, por exemplo, propagar isso. Caso seja uma crítica, a empresa entraria em contato com quem criticou. Mas ficar de fora do Twitter não pode ser uma opção.





Twitter: Os Adolescentes Gostam

12 09 2009

O usuário médio do Twitter é uma garota no fim da adolescência, e segue e é seguida de 20 a 50 pessoas. Uma pesquisa foi realizada entre julho e agosto desse ano, pela consultoria britânica Box UK, com dados de 83 mil pessoas de todo o mundo. Para diferenciar dos perfis falsos, a consultoria usou a constância das atualizações no site e outras atividades.

Usuários divididos por sexo

Usuários divididos por sexo. Fonte Box UK

Ou seja, os adolescentes usam o Twitter sim, desmentindo um relatório britânico, mas no mundo. No país a coisa é diferente.

Maior parte dos usuários tem entre 15 e 23

Maior parte dos usuários tem entre 15 e 23

No Brasil, segundo o Censo de usuários do Twitter no Brasil, a maior parte dos usuários são homens de 19 a 30 anos de idade. 68,8% dos que usam o Twitter estão nessa faixa etária (43,81% 19 a 24 anos e 24,99% 25 a 30 anos). Os adolescentes (15 a 18 anos) são 13,93% dos usuários.

Perfil dos usuários do Twitter no Brasil: sexo e faixa etária

Perfil dos usuários do Twitter no Brasil: sexo e faixa etária

São Paulo é a cidade que abriga o maior número de ‘twiteiros’, seguida pelo Rio de janeiro, BH e Curitiba. O usuário também usa o Twitter em casa ou em casa e no trabalho, além de usar, predominantemente, o navegador para atualizar o Twitter (66,76%). O aplicativo mais usado é o TwitterFox.

Meios que o usuário no Brasil usa para acessar o Twitter

Meios que o usuário no Brasil usa para acessar o Twitter

Mais informações do Twitter no Brasil na apresentação abaixo criada pela Bullet esse ano.





A Ostalgie

22 08 2009

O Salão do Automóvel de Frankfurt desse ano pode ver a volta do Trabant como um carro elétrico pela empresa Herpa. O Trabi, chamado assim pelos alemães do leste, será um carro elétrico, com autonomia de cerca de 250 Km entre recargas, e terá um painel solar para captar energia. “O novo Trabant será um carro com muito estilo e história. Ele contará com um propulsor elétrico para seguir as tendências da indústria atual”, afirmou o porta-voz da Herpa, Daniel Stiegler.

Reprodução do novo Trabant

Reprodução do novo Trabant

O Trabant era um carro fabricado na Alemanha Oriental (RDA), entre 1957 a 1991, feito de plástico semelhante à fibra de vidro, e que não fazia mais do que 100km/h. Ele teve duas gerações, a primeira de 1957 a 1967 e a segunda de 1967 a 1991. Além disso, era uma máquina de poluir, tanto por fazer muito barulho, quanto por produzir uma grande quantidade de fumaça, segundo o site Brand Republic. Agora será um carro amigo do meio ambiente.

Primeira versão do Trabant

Primeira versão do Trabant

O relançamento do Trabi marca um novo capítulo do saudosismo da velha RDA, chamado Ostalgie, que é um neologismo alemão criado a partir das palavras Ost – leste – e Nostalgie – nostalgia. No começo da reunificação, todos os produtos do lado oriental sumiram das prateleiras, e foram substituídos por produtos ocidentais. Mas com o tempo alguns antigos habitantes do leste alemão sentiram falta dos velhos produtos. Hoje alguns deles voltaram às prateleiras, caso dos pepinos em conserva (Spreewald Gurken).

Bandeira da antiga Alemanha Oriental

Bandeira da antiga Alemanha Oriental

Mas a Ostalgie não se restringe à compra de produtos do bloco comunista, vai além. Em 2003, haviam quatro programas na TV alemã sobre a vida do outro lado do muro. Em 2005, um alemão chamado Thorsten Jahn “enlatou” o cheiro do Trabant, e vendia pela Internet por 3,98 euros (4,81 dólares). Ele disse que “queria preservar o passado de uma maneira original“.

Lata do cheiro do Trabi

Lata do cheiro do Trabi

Segundo o blog 4P da Exame, editado pelo jornalista Daniel Hessel, o filme Adeus Lênin deu origem à Ostalgie. Mas talvez ele fosse só o estopim. O problema foi que depois de uma década de reunificação, a Alemanha viveu uma época de crise de identidade e de desemprego, e o antes Estado repressor, virou uma lembrança de “bons tempos” para os antigos moradores da RDA.

Camisetas alusivas a antiga RDA

Camisetas alusivas a antiga RDA

De acordo com o site Deutsche Welle, o fato de “o cotidiano foi substituído de uma hora para outra: mercadorias, moeda, imprensa, valores — tudo vinha do Ocidente. As lembranças não tiveram tempo para empalidecer, precisaram ser apagadas. Não é, portanto, de se admirar que elas agora voltem à tona“.





Enquanto Todos Abrem o Conteúdo, News Corp Cobrará Pelo Acesso

6 08 2009

Via m&m Online:

Os dias de livre acesso às reportagens de grandes jornais, pelo menos daqueles que pertencem ao News Corp, parecem próximos do fim. Há algum tempo o bilionário dono do conglomerado Rupert Murdoch já havia declarado suas intenções de começar a cobrar pelo acesso ao conteúdo online de seus jornais, afinal, em sua análise, as pessoas achavam normal pagar por um carro, mas não achavam natural pagar pela informação.

News Corp tem entre outros negócios os estúdios 20th Century Fox, e os canais Fox

News Corp tem entre outros negócios os estúdios 20th Century Fox, e os canais Fox

Como o grupo teve uma queda nas receitas na ordem de 7,8%, Murdoch quer estancar as perdas cobrando pelas notícias nos sites de seus jornais. Segundo Murdoch, “Jornalismo de qualidade não é barato e o conteúdo tem custo, mas a revolução digital abriu muitos métodos de distribuição novos e baratos. Por isso, tencionamos cobrar por todos os nossos sites de notícias. Acredito que se tivermos sucesso, vamos ser seguidos por outras mídia“. Uma possível migração para a web dos leitores pode ser combatida com a cobrança de leitores para os sites dos jornais, segundo o australiano.

Estranho esse movimento da News Corp. A empresa também é dona dos Estúdios da 20th Century Fox, e dos canais Fox e Fox News, além da Sky. Quando o grupo do australiano Rupert Murdoch comprou o Wall Street Journal, o acesso a grande parte das matérias era restrito a assinantes, e o jornal ganhava dinheiro com o site. Mas manter um site tem custos e alguém tem que pagar por isso. Até agora os jornais não conseguiram ter lucro com seus sites. Em um ambiente de crise econômica, eles não podem perder dinheiro.





Twitter: Os Adolescentes Não Gostam

5 08 2009

No mês passado saiu um estudo do banco americano de investimento Morgan Stanley realizada por um estudante inglês de apenas 15 anos fez muito barulho ao mostrar um esboço da relação dos adolescentes, no Reino Unido e na Europa, com a tecnologia. Nesse estudo, o britânico Matthew Robson afirma que os meios de comunicação tradicionais (TV, jornais, rádio, etc) estão perdendo espaço para as novas mídias; baixam muita música ilegal; não baixam filmes ilegais pois a qualidade é ruim, a maior parte dos gastos é com cinema, shows e jogos de videogame (o Wii é o preferido); e, o que deixou todos surpresos, adolescentes não usam o Twitter.

Página inicial do Twitter

Página inicial do Twitter

Segundo ele, os jovens dessa faixa etária até tem uma conta, mas como não veem utilidade, abandonam. Eles preferem utilizar sites como Facebook, e MySpace, pois preferem mensagens diretas para os amigos, “eles percebem que ninguém está vendo seu perfil. Twittar, então, é inútil“, declarou o jovem britânico.

Na mesma semana do estudo, a hashtag #BrazilwantsJB chegou ao topo do Trending Topics (TT) – ranking das palavras mais usadas no momento – do Twitter. Mas elas se registraram no Twitter para colocar a haschtag no topo do TT, depois não usaram mais. O “ataque” ao TT começou em um blog, foi para o Orkut, e ai sim foi para o Twitter. Foi uma espécie de flashmob online.Alguns adolescentes ouvidos pelo Estado de São Paulo disseram que não usam o Twitter não por ser inútil, mas por não conseguirem se expressar em 140 caracteres.

#BrazilwantsJB no TT

#BrazilwantsJB no TT

Segundo o Ibope Nielsen Online, no mundo, apenas 8,45% dos usuários tem entre 12 e 17 anos (no Brasil é 4,58%), e a participação da faixa etária  de 18 a 49 anos é de 26% (no Brasil é de 27%). Portanto o estudo britânico esta certo, os adolescentes não usam o site sensação. Mesmo?

Hoje, uma das hashtags que estourou nos TT é Teens Don’t Tweet (adolescentes não twitam – se é que esse verbo existe) gerou polêmica entre os usuários. Muitos dizem que são adolescentes e usam o site se revoltaram, dizendo que sempre “twitam” e que são jovens.

Reprodução de uma mensagem de uma adoscente americana

Reprodução de uma mensagem de uma adoscente americana

E por várias vezes hashtags como New Moon (Lua Nova,   filme sequência do filme adolescente Crepúsculo -, Hary Poter (da série de filmes sobre o bruxo de mesmo nome),Vanessa Hudgens (atriz e cantora que foi protagonista da série High School Musical), Miley Cyrus (atriz cantora protagonista da série Hannah Montana)

O problema do estudo britânico, é que ele não tem amostragem, não dados estatísticos, como por exemplo: em um universo de 200 pessoas, de 12 a 17 anos de ambos os sexos, que usa o Twitter são 10% desse total.  O Financial Times ressalta em uma matéria sobre o estudo: “However, he made no claims for its statistical rigour” (“entretanto, ele não fez um estudo estatístico rigoroso“, em uma tradução livre). O que ele disse foi que ele, seus amigos, e as pessoas que conhece tem os hábitos descritos no primeiro parágrafo desse post. Não quer não diz se o estudo é furado ou não, mas apenas um esboço de que jovens da idade dele na Grã-Bretanha tem esses hábitos.

Isso é equivalente ao texto “O Mal de Rafael” em que o protagonista, ao saber da participação de mercado da Coca-Cola Light não acredita nos números, pois todas as pessoas que conhece consomem o refrigerante. É o mesmo. No grupo de pessoas que ele conhece não usam o Twitter, no caso Europa. Mas em outros países, principalmente EUA não é assim.

E o que ele (o adolescente britânico) disse todos já sabiam. A venda de jornais vem caindo há muito tempo, nos EUA só dois jornais tiveram crescimento (USA Today e New York Post) os outros todos caíram ou estagnaram. Na TV é a mesma coisa, a recente investida da Globo na fracassada série Ger@l.com que mistura TV e Internet, e decisão da Fox nos EUA de diminuir os intervalos para parar com a queda da audiência estão ai para provar que a TV perde espectadores. E sobre baixar música ilegal, isso é feito desde que o Napster foi criado, em 1999/ 2000.