Nessa sexta, dia 2 de outubro, Chicago/EUA, Madrid/Espanha, Tóquio/Japão, e Rio de Janeiro/ Brasil, concorrem para receber os Jogos Olímpicos de 2016. A cerimônia do Comitê Olímpico Internacional ocorre em Copenhague na Dinamarca. Segundo especialistas e sites de apostas britânicos, as duas cidades favoritas são Rio e Chicago, pois a Europa receberá a próxima Olimpíada, Londres, e a Ásia recebeu a última, Pequim- o que inviabilizaria a candidatura de Madrid e Tóquio. Chicago pode sair na frente pois conta com o imenso poder do lóbi americano, mas segundo o próprio presidente do COI, Jacques Rogge, a cidade vencedora será escolhida por uma diferença pequena, de um ou dois votos.
Madrid parece ser a candidatura que tem menos chance de ser a sede dos Jogos de 2016. Apesar da alta aceitação dos jogos pelos espanhóis (86% deles apóiam o projeto de Madrid, e apenas 2,8% rejeitam), boa parte das instalações já estão prontas (23 instalações das 33 propostas já existem), forte apoio do poder público no que se refere a financiamentos, e experiência de ter recebido uma Olimpíada, em 1992 em Barcelona, que foi muito bem avaliada, a cidade fatalmente perderá, pois há 60 anos não ocorrem duas edições de Jogos Olímpicos seguidas no mesmo continente (a última vez foi quando Helsinque sucedeu Londres).
Já Tóquio não é apontada como uma das favoritas, pois, entre outros fatores, apenas 55% da população é a favor a realização dos Jogos. Mas ela tem um bom projeto, onde boa parte das instalações já está construída, e haverá a reutilização de espaços que serviram os Jogos de 1964 na cidade. Além disso, a estrutura do evento estaria a um raio de apenas 8km do Estádio Olímpico, se dividindo em duas áreas, Zona da Baía de Tóquio e Zona Herança (referencia aos Jogos de 1964). Pesa para cidade também que ela é uma cidade segura, e tem um bom sistema de transportes.
A candidatura de Chicago recebeu um reforço do presidente dos EUA, Barack Obama- que fez carreira política na cidade -, que chega nessa sexta à Dinamarca e fará corpo a corpo com os membros eleitores do COI que decidirão a sede de 2016. Entre as vantagens da cidade, está o fato que grande parte dos patrocinadores dos Jogos serem americana, o McDonald’s por exemplo é de Chicago – só para lembrar Atlanta é a sede da Coca-Cola e foi sede dos Jogos de 1996. Entre outros fatores, há o compromisso do governo federal americano de financiar a segurança do evento. O que pesa contra: as arenas temporárias não foram bem vistas pelo COI, a má impressão que os Jogos de Atlanta causaram, crítica ao sistema público de transporte, entre outros. Mas a cidade é favorita a ser a campeã.
Pode ser que o Rio ganhe, segundo alguns especialistas, e algumas casas de apostas londrinas – onde o Rio ocupa a segunda posição atrás de Chicago. O que conta a favor da cidade é o forte apoio popular, com 84,5% a favor e apenas 4% contra, garantias públicas para o financiamento de obras e de eventual falta de recursos no orçamento, a Copa de 2014 pode acelerar alguns investimentos, entre outros. A Copa de 2014 também pode pesar contra, já que para o COI há um temor que a cidade não consiga atrair patrocinadores para os dois eventos. Outros pontos que pesam contra é violência, até os membros da campanha do Rio aceitam que é um problema. Além disso, a cidade precisa garantir uma operação de transporte, e faltam hotéis. Outro ponto negativo é que as obras públicas para os Jogos devem ser “cuidadosamente administradas e monitoradas“.
A escolha desse ano se tornou uma luta política, a maior desde a guerra fria, e já gerou troca de farpas entre as candidatas, com algumas cidades (Chicago e Madrid) acusando o Rio de não ter condições de receber os Jogos em 2016 – o que é proibido pelo COI.
É difícil apontar para uma cidade vencedora, mas e se o Rio perder? A cidade já tentou tantas vezes que parece que foi para a fase final por muito insistir, além de ter investido só nessa empreitada US$ 47 mi. Fora isso, o Rio já gastou tanto no Pan 2007 – só para lembrar, o orçamento apresentado era de R$ 400mi, e foram gastos R$ 4 bi – que tentar mais uma é certo dinheiro desperdiçado. É bom recordar que caso a sede de 2016 seja em Tóquio ou Chicago, a Europa ganha força para sediar os Jogos de 2020, e Paris – que perdeu para Londres os Jogos de 2012 e não concorreu esse ano – e Madrid ganhariam força.
E se o Rio vencer, o que nós, brasileiros ganharíamos? Claro que vários empregos seriam criados, e claro que seria bom para a cidade, que desde que Brasília virou capital está em decadência, e para o Brasil, que se mostraria para o mundo de uma forma diferente. Mas o Brasil não está se preparando para organizar a Copa de 2014, pois vários estádios são apenas desenhos em papéis e vídeos bacanas. O país não está se preparando em termos de segurança – imaginem os americanos na Copa trazendo os próprios seguranças, seria uma vergonha -, não está preparando os voluntários que irão receber os visitantes. Não está fazendo nada, está só no discurso, e nas promessas. Se o Rio ganhar, ótimo, mas que se faça tudo de uma forma transparente, pois o que foi o Pan foi a maior palhaçada que esse país já viu.









[...] pois se as Olimpíadas fossem uma coisa tão boa não teria tanta rejeição em Chicago e em Tóquio. Depois de saber então que quem cuidou do Pan iria cuidar das Olimpíadas, fiquei mais desesperado [...]