Pessoa do Ano

18 12 2009

Ano passado a revista Time nomeou o Presidente dos EUA Barack Obama como a Pessoa do Ano. Esse ano a publicação escolheu o presidente do Fed (Federal Reserve – o Banco Central dos EUA) Ben Bernenke. A escolha se deu pois “ele é o mais importante operador guiando a mais importante economia do mundo” segundo a revista.

Ben Bernanke: Pessoa do Ano

A maioria dos eleitos é americana. A escolha da Pessoa do Ano nem sempre é de apenas uma pessoa, algumas vezes podem ser escolhidas mais de uma, como em 1983, quando foram nomeados Yuri Andropov (então líder da URSS) e Ronald Reagan (então presidente dos EUA). Algumas pessoas já foram escolhidas mais de uma vez, como, por exemplo, Bil Clinton, Bush (o filho), e Stalin. Mas nem sempre é escolhida uma, ou mais, pessoas. Às vezes uma causa, um grupo de pessoas, ou até de um objeto são eleitos – casos do Nacionalismo Húngaro (1956), das Mulheres Americanas (1975), do computador (1982) e dos Cientistas Americanos (1960).





Sedex Copy And Past

11 12 2009

Os Correios (ECT) lançaram uma nova campanha para os serviços de entrega Sedex. Batizado de “Encontro“, o filme, que foi criado pela agência Artplan, mostra um homem viajando de todas as formas possíveis para chegar ao seu destino. Uma voz em off diz: “Neste natal faça tudo para estar ao lado de quem você ama, mas se não puder conte com agente“. E termina com a assinatura: “Parece mágica, mas é Sedex“.

Até ai tudo bem, um comercial interessante que promove o serviço dos Correios. Só que um ano antes, outro filme idêntico foi feito pela Adidas. A mesma música, o mesmo enredo, tudo absolutamente igual. A única diferença é que a Adidas vende tênis e materiais esportivos, e os Correios vendem um serviço de entregas. Veja o comercial da Adidas, e tire suas próprias conclusões.

Via Kibe Loco





Cerveja é Commodity

10 12 2009

Na semana passada vários blogs falaram sobre a campanha que a Brahma lançou no Peru. Nela a marca que a Ambev (que pertence a Anheuser-Busch InBev) quer exportar para o mundo utiliza o conceito criado pela agência F/Nazca há dez anos para a Skol , o “desce redondo“.

A F/Nazca foi pega de surpresa, já que o conceito pertence a ela, e o comercial foi lançado sem que ela se envolvesse, e sem seu consentimento. Mas, a Ambev não precisou da aprovação da agência brasileira que fica ao lado do Parque do Ibirapuera, pois a agência peruana é a Saatchi & Saatchi, que é sócia da F/Nazca no Brasil – o nome completo da agência é F/Nazca Saatchi & Saatchi.

A Ambev não exporta a Skol para outros países porque ela pertence à Carlsberg, que é dinamarquesa, e é comercializada no Brasil sob licença – dai a utilização de um conceito que pertence à Skol pela Brahma em outro país. Uma pena já que essa é a 3ª cerveja mais consumida do mundo, perdendo apenas para a Budweiser e Bud Light.

Esse tipo de coisa não é novo. No começo da década a Kaiser era de propriedade da Molson, e havia criado um comercial com o ator Marcos Palmeira e a modelo Pietra Ferrari. A Molson também era dona da Bavária, e lançou a marca como Bavária 1877 (ano de lançamento). No mesmo ano do comercial com Marcos Palmeira, a empresa lançou lá fora o mesmo filme com a modelo, só que com outros atores (esse exemplo foi lembrado pelo Pedro Araujo do blog Meus 2 Cents).

Isso mostra que cerveja Pilsen é commodity, ou seja, é tudo igual, o que muda é o posicionamento das marcas. No caso da Skol, ela é posicionada como uma marca jovem, descolada. Antárctica é posicionada como uma marca popular, e assim por diante.

Por isso que a Ambev luta desesperadamente para tirar a campanha do “Teste das Cervejas“, da Kaiser, do ar. Assim como com os refrigerantes – Coca-cola e Pepsi – os consumidores que bebem cerveja, nesse caso do tipo Pilsen, bebem a “marca”, e não o líquido. Qualquer teste cego que for feito mostra que a Pepsi vence a Coca, e assim é com as cervejas, só os mestres cervejeiros sabem diferenciar uma das outras.

Mais aqui, aqui, aqui e aqui.





Twitter Vermelho no Dia Mundial Contra a Aids

1 12 2009

Qualquer coisa que surgir no Twitter fatalmente gera um burburinho, mesmo que pequeno – como Haloween que o site fazia uma brincadeirinha com os usuários. Hoje, no Dia Mundial Contra  a Aids o Twitter participou transformando o site do azul para o vermelho. Quando se escrevia as tags #red, #aids, #HIV, ou qualquer outra palavra que lembre a doença, o tweet será postado em vermelho.

A ação também tem o apoio da Nike, que fez um cadarço vermelho lançado pelo jogador Didier Drogba, atacante do clube inglês Chelsea de Londres.

As informações são do Brainstorm9.





Twitter: Qual o Modelo de Negócio – II

28 11 2009

Hoje o site de microblog Twitter não tem nenhuma fonte de receita, se mantém com dinheiro de investidores. Na visita de Biz Stone, um dos criadores do site, ele disse que uma das formas que empresa estudava para angariar recursos era através da venda de serviços para usuários corporativos. Agora, segundo o blog Zeros e Uns da Exame, o Twitter pode ser pago para usuários não corporativos.

twitter

Twitter no Japão pode ser cobrado

A idéia é quem tem contas premium cobre entre 1,15 e 11,5 dólares de outros usuários do Twitter para que esses vejam suas atualizações de seus posts, imagens, vídeos e links. Isso no Japão, através da subsidiária Twicco, que tem certa liberdade – segundo a Exame essa subsidiária é comandada por um grupo de investidores chamado Digital Garage, e é praticamente uma divisão à parte do resto do mundo, e geralmente é usada como um grande laboratório. O pagamento seria feito através de cartões de crédito, cartões pré pagos, ou ter os valores debitados nas contas telefônicas. O Twitter ficaria com 30% das transações.

No Brasil não sei se pegaria. Os tweets no país são sobre links de blogs ou matérias de algum grande portal, além links para fotos e vídeos. Há também tweets reclamando com alguém (políticos, por exemplo), conversando com um amigo, entre outros. Se a intenção é se mostrar para o mundo, seguir e ser seguido (há a opção de bloquear os seguidores), não há motivo para se cobrar de alguém. E outra, se for pago ninguém vai mais usar o Twitter.

Página Inicial do Twicco, subsidiária do Twitter no Japão

O blog Brainstorm9 fez uma crítica dizendo “que por consequência do modelo comercial baseado em mídia, herança péssima do mercado de publicidade tradicional, a internet no Brasil ganhou essa cultura de que não se paga por conteúdo“. Ele também fala que “porque lentamente a maturidade do mercado externo valoriza o conteúdo, e também porque o modelo agência + BV é cada vez mais fadado ao abandono“.

Bom, a TV, o rádio, e boa parte das notícias na Internet são de graça por causa da propaganda. Nós não pagamos pelo conteúdo das rádios e das emissoras de TV aberta porque quem paga a conta é o anunciante, e nosso único dever é assistir os filmes e ouvir os spots e jingles. E graças à propaganda os jornais não custam R$ 50 a edição (que seria mensal e com duas folhas).

Concordo com o que ele  (quem assina o post é Rodrigo Zannin) fala sobre o modelo de agência. Esse modelo ainda não entrou em crise ainda aqui no Brasil muito por causa da Globo, que só aceita negociar com agências que sejam do modelo tradicional – com todos os departamentos: criação, atendimento/ planejamento, pesquisa, produção, etc. Entretanto com a crescente perda de audiência da TV aberta, esse modelo vai cair em desuso, e assim irão ganhar importâncias as boutiques de planejamentos, as hotshops de criação e os bureaus de mídia.





O Retorno dos Mortos Vivos

26 11 2009

Duas das mais tradicionais lojas de varejo do Brasil faliram nos fim dos anos 1990. O empresário Ricardo Mansur era dono da Mesbla e do Mappin, e as duas redes de lojas faliram em 1999 deixando vários funcionários sem emprego. Agora, uma delas voltará: a Mesbla.

Site da nova Mesbla

Mas não será aberta nenhuma loja física, como a que existia no Shopping Paulista antes da falência. Será inaugurado um site de venda destinado exclusivamente ao público feminino. Com o slogan “A loja da mulher pontocom” o site ainda não está aberto para o grande público. Segundo o m&monline o site está em testes com cerca de 75 mil consumidoras convidadas, e é tocado pela empresa Mercantil Brasileira, que assinou com Mansur um contrato de cessão.

A Mesbla abriu sua primeira loja em 1912 no Rio, até os anos 1997 era controlada pelo empresário André de Botton, que expandiu a empresa nos anos 1980, chegando a ter cerca de 180 lojas. Entretanto nos anos 1990, com o fim da inflação no país, a rede entrou em crise e foi vendida à Mansur, que não conseguiu reestruturar a cadeia de lojas, e, junto com o Mappin, faliu em julho de 1999.

O retorno da marca ao mercado é interessante. Ao invés de oferecer o que vendia quando era uma loja física, a empresa que administrará a empreitada irá focar em um único público – que subdivide em outros. Mas a marca saiu queimada da falência, mesmo depois de dez anos, não sei se as cicatrizes se fecharam. Entretanto é bom ter mais um player nesse mercado. Agora que a Mesbla voltará, pode ser que o Mappin também volte.





100 Melhores Álbuns da Década

24 11 2009

Fim de ano, e de década chegando, e as famosas listas com os melhores e piores sobre alguma coisa aparece. Dessa vez, o tradicional semanário britânico New Music Express (NME) listou os 100 melhores álbuns da década – que oficialmente acaba no ano que vem.

Capa do primeiro disco dos Strokes, que foram escolhidos como o melhor da década pelo NME

Apesar de ser uma publicação britânica, a revista escolheu o primeiro álbum dos americanos do The Strokes Is This It como o melhor da década. A lista se completa com várias bandas Indie Rock, como Arctic Monkeys, The White Stripes e Interpol. Há também nomes do Hip Hop como Jay Z e Outkast, e nomes consagrados de outros tempos como Johnny Cash. Abaixo a lista com os 50 melhores:

1. The Strokes – “Is This It”
2. The Libertines – “Up The Bracket”
3. Primal Scream – “Xtrmntr”
4. Arctic Monkeys – “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not”
5. Yeah Yeah Yeahs – “Fever To Tell”
6. PJ Harvey – “Stories From the City, Stories From the Sea”
7. Arcade Fire – “Funeral”
8. Interpol – “Turn On The Bright Lights”
9. The Streets – “Original Pirate Material”
10. Radiohead – “In Rainbows”
11. At The Drive In – “Relationship Of Command”
12. LCD Soundsystem – “The Sound Of Silver”
13. The Shins – “Wincing The Night Away”
14. Radiohead – “Kid A”
15. Queens Of The Stone Age – “Songs For The Deaf”
16. The Streets – “A Grand Don’t Come For Free”
17. Sufjan Stevens – “Illinoise”
18. The White Stripes – “Elephant”
19. The White Stripes – “White Blood Cells”
20. Blur – “Think Tank”
21. The Coral – “The Coral”
22. Jay-Z – “The Blueprint”
23. Klaxons – “Myths Of The Near Future”
24. The Libertines – “The Libertines”
25. The Rapture – “Echoes”
26. Dizzee Rascal – “Boy in Da Corner”
27. Amy Winehouse – “Back To Black”
28. Johnny Cash – “Man Comes Around”
29. Super Furry Animals – “Rings Around The World”
30. Elbow – “Asleep In The Back”
31. Bright Eyes – “I’m Wide Awake, It’s Morning”
32. Yeah Yeah Yeahs – “Show Your Bones”
33. Arcade Fire – “Neon Bible”
34. Grandaddy – “The Sophtware Slump”
35. Babyshambles – “Down In Albion”
36. Spirtualized – “Let it Come Down”
37. The Knife – “Silent Shout”
38. Bloc Party – “Silent Alarm”
39. Crystal Castles – “Crystal Castles”
40. Ryan Adams – “Gold”
41. Wild Beasts – “Two Dancers”
42. Vampire Weekend – “Vampire Weekend”
43. Wilco – “Yankee Hotel Foxtrot”
44. Outkast – “Loveboxxx/The Love Below”
45. Avalanches – “Since I Left You”
46. The Delgados – “The Great Eastern”
47. Brendan Benson – “Lapalco”
48. The Walkmen – “Bows and Arrows”
49. Muse – “Absolution”
50. MIA – “Arular”

Como em todo tipo de lista, há sempre controvérsias.  Entre elas, cito uma, a de que não foi relacionado na lista nenhum álbum do The Killers – que vieram ao país recentemente. Nem Hot Fuss, nem Sam’s Town – os dois primeiros – estão na relação de melhores. Mas isso é apenas minha opinião.





A Guerra das Cervejas

16 11 2009

Ambev (AB Inbev), Schincariol, Cervejaria Petrópolis e Femsa. Essas são as principais empresas cervejeiras do Brasil. A líder é a Ambev, que é dona das marcas Antarctica, Brahma, e Skol. É muito difícil competir contra a empresa, que surgiu da união da Brahma e Antarctica, pois ela concentra em suas mãos cerca de 70% do mercado de cervejas no país.

Na sexta, dia 13, a Femsa, dona da marca Kaiser, lançou uma campanha intitulada “O Teste das Cervejas”. Lançou um filme e um site, o testedascervejas.com.br. O Datafolha realizou uma pesquisa (auditada pela Ernst&Young) em nove capitais sobre qual a melhor cerveja para o entrevistado (2500 no total). A Kaiser ganhou com 20,1%, seguida da Skol (19,8%), Brahma (19,7%), Antarctica (19,4%), e Nova Schin (18,6%).

Como bem diz o vídeo, foi um empate técnico – não sei quanto é a margem de erro. A Ambev não gostou, e promete entrar na justiça e acionar o CONAR. A Ambev havia conseguido, antes da campanha entrar no ar, uma liminar que proibia a Femsa de divulgar os resultados de testes, mas a empresa de origem mexicana conseguiu reverter a situação, e cassou a liminar.

A Ação para a Kaiser não é nova. Há algum tempo a Femsa fez uma campanha de teste cego com dados de uma pesquisa encomendada pelo IBOPE, o Desafio Kaiser, que comprovava que os consumidores preferiram a Kaiser. Mas agora é diferente. A Kaiser ganhou, mas por uma diferença muito pequena, apenas 0,3% da Skol. E mesmo o site dessa campanha é confuso, só quem entende de pesquisa de marketing pode entender os dados.

A campanha prova que até agora ninguém conseguiu combater eficientemente a Ambev. Criada há dez anos, após a fusão da Companhia Antarctica Paulista com a Brahma, a Companhia de Bebidas das Américas (Ambev é a abreviação em inglês de American Beverage Company) domina o cenário de cervejas desde então, com suas três principais marcas Skol (líder de mercado), Brahma, e Antarctica.

Nenhuma empresa, até agora, conseguiu formular qualquer estratégia duradoura para conseguir tirar participação de qualquer marca da Ambev. Só a Nova Schin conseguiu por poucos meses subir para a terceira posição do ranking, entretanto isso foi em seu lançamento, e logo depois, ela caiu para quarto lugar, e não saiu de lá até agora.





Citroën Volta à Torre Eiffel

13 11 2009

No ano que comemora 90 anos, a marca de automóveis francesa Citroën volta a fazer uma ação na Torre Eifel, que também celebra uma data especial, seus 120 anos. Durante os anos de 1925 e 1934 a empresa colocou o seu nome na torre mais famosa do mundo.

Logo da Citroën na Torre Eiffel - 1925/ 1934

Desta vez a empresa fez parceria com a SETE (Société d’exploitation de la Tour Eiffel). Só que ao invés de colocar o logo da empresa de novo na torre, a Citroën instalou uma iluminação especial com as cores da empresa – Vermelho e Branco. A ação ocorre em conjunto com o lançamento do novo C3 na Europa. Segundo o blog Brainstorm9, que usou informações do blog Quietglove, a ação foi decepcionante. De acordo com ambos, não era possível determinar que aquilo era um evento patrocinado pela marca de automóveis criada por André Citroën. Para contornar o problema, a empresa recorreu a vídeos online e releases.

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Vista da nova iluminação da Torre Eiffel em um C3 da Citroën

Mais aqui e aqui





Palhaçada Tem Limite

9 11 2009

Eu não queria falar sobre o assunto. Mas depois que acordei nesse domingo e vi que a Universidade Bandeirante (Uniban) expulsou a aluna que foi à aula no dia 22/10 e foi humilhada, escorraçada, e linchada moralmente apenas por usar um vestido rosa curto, não tive como. A Universidade publicou um informe publicitário dizendo que, de acordo com as regra de seu Regulamento Interno (RI), estava:

  • Desligando a aluna Geisy Arruda por infringir a ética, a dignidade acadêmica e a moralidade
  • Suspendendo os alunos envolvidos no episódio, temporariamente, mas só os que foram identificados.

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Informe Publicitário da Uniban que comunica o desligamente da aluna do vestido curto

Bem, eu estudei no Mackenzie, me graduei em uma Universidade Presbiteriana, e já estudei em colégio católico (Colégio Marista Nossa Senhora da Glória, no Cambucí, que tem mais de 100 anos), ou seja, eu estudei em locais que teoricamente seriam mais tradicionais – leia-se moralista. Mas nunca, eu digo, nunca, onde estudei, vi nada parecido com o que ocorreu nessa Universidade e com essa aluna.

E olha que eu já vi muita coisa no Mackenzie, e ninguém fez nada. Mesmo em badalas nunca vi nada de mais também, e é bom lembrar que tem o componente álcool no meio em bares e danceterias – e seguranças para gentilmente apaziguar as coisas. Como bem disse Fausto Salvadori Filho, do Blog Boteco Sujo, “ela não vestia nada que já não pudesse ser usado nos anos 30“.

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Mulhures com minissaia observando a vitrine na década de 1930

E o pior é que esses alunos da Uniban não se arrependeram do que fizeram, e prometeram, no dia 31/10, que caso ela (a aluna) voltasse para a faculdade, ela seria hostilizada da mesma forma. Uma aluna de comunicação disse: ”Ela provocou, quis só aparecer“.  E outra disse também que ”foi só zoeira e o pessoal exagerou, mas ela mereceu“.

Imaginem uma dessas meninas trabalhando em uma agência de propaganda, com mulheres trajadas com blusas com decote que chega ao umbigo, microssaias e cintos maiores que a saia, com tatuagens e tudo mais. Será que elas “aguentariam”? Ou um cara que estuda engenharia que tentou “pegar” a aluna humilhada e não conseguiu, como que ele trabalharia com uma chefe mulher durona? Será que seriam bons profissionais? Como disse o Blog do Nassif, “Por causa dessa liberalidade excessiva, confundida com democratização do ensino, temos hoje no Brasil mais de 1.200 faculdades de direito, contra 182 nos EUA e temos no Brasil mais faculdades de medicina do que toda a Europa. Estamos enganando jovens e seus pais, formando falsos preparados para nada, uma legião de desempregados diplomados, na recente inscrição para emprego de garis no Rio se inscreveram 2.000 com curso superior“. Não à toa um das alunas ao Estadão que: “Como eu vou procurar emprego? Vão achar que eu ando sem roupa por aí“.

Pelo menos na Internet a revolta é geral, e já se abriu inquérito na Delegacia da Mulher e o MEC e a Secretaria da Mulher pediram explicações. Até o Suplicy (!) pediu explicações.

Um ponto levantado, agora no Blue Bus, é no quesito Universidade Popular. Disse o site que “O caso da moça da saia curta na Uniban, que culminou na surpreendente e absurda decisão da universidade de expulsar a aluna e apenas suspender os agressores, coloca em evidência o segmento das universidades populares, outro fenômeno criado pelo fortalecimento da Nova Classe Média Brasileira nos últimos anos“. E que ”Não surpreende, portanto, que o perfil do universitário brasileiro médio seja hoje bastante diferente do estereótipo ao qual nos acostumamos“.

Não é assim também, não se pode jogar tudo no mesmo balaio, mas não se pode generalizar. As Universidades para a Nova Classe média estão ai há um bom tempo, e é a primeira vez que isso ocorre, pelo menos é o primeiro que ouço falar.

Mas quais as verdadeiras razões que levaram a Uniban a expulsar a aluna Geisy? O poder econômico. Concordo com o que disse o Juliano Spyer no blog Talk.com: “Estamos todos entusiasmados para ver a Uniban ser apedrejada publicamente por uma atitude que, a princípio, a maior parte das empresas toma ou tomaria, que é: defender seus clientes e optar por ter menos dor de cabeça apostando que eventuais notícias negativas não se espalhariam”.

E a Universidade é uma empresa com fins lucrativos, ou seja, tem que proteger quem lhe dá lucro, nesse caso os alunos que se envolveram no episódio. Mas o problema é que antes de formar profissionais para a o mercado de trabalho, a Universidade deve sim é formar um cidadão, que será a elite pensante brasileira no futuro. Como podemos observar nesse caso essa elite será de vândalos, moralistas, acham que estão a cima da lei,  e que não sabem conviver com as diferenças.

E como esse profissional irá conviver com as diferenças?

Update: no fim da tarde de segunda, dia 09/11/2009, a Uniban voltou a traz e não irá mais expulsar a aluna Geisy.